Sucedem-se as notícias sobre os apelos de boicote e campanhas de protesto aos produtos chineses na China. Tudo por causa da «recepção» dada em Paris à tocha olímpica. E das declarações de Sarkozy a admitir um boicote à cerimónia de abertura dos Jogos.
Há sinais que não podem ser ignorados.
A polémica da tocha começa, de facto, a dividir o mundo em dois blocos. E os franceses arriscam-se a ficar isolados no meio disto tudo. É preciso não esquecer que, em 2012, os Jogos serão em Londres e, nem que seja só por causa disso, há um lado institucional que os ingleses vão ter que manter com a China. Por exemplo este: a 24 de Agosto, na cerimónia de encerramento, o mayor de Londres (qualquer que saia vencedor das eleições de 1 de Maio) vai ter de subir ao palco principal do estádio para receber a bandeira olímpica das mãos do seu homólogo de Pequim. E uma vasta delegação britânica vai ser obrigada a acompanhar os Jogos de Pequim a par e passo e bem por dentro, como forma de perceber todos os problemas de organização de um acontecimento com esta complexidade.
Ou seja: os ingleses, quer queiram quer não, vão ter de estar em Pequim. E com um forte nível de colaboração.
No meio disto, percebe-se até alguma desta «má vontade» francesa para com o movimento olímpico (criado, precisamente, por um francês, o barão Pierre de Coubertin): afinal de contas, Paris até perdeu para Londres a organização dos Jogos de 2012. E isso é algo que os chineses sabem muito bem e que, de certeza, ainda irão aproveitar como argumento nos próximos tempos.
domingo, 20 de abril de 2008
Pequim: Chineses boicotam produtos franceses
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Boicote: O que se diz por aí (8)
«O povo chinês goza agora de grande liberdade de expressão, as pessoas podem comentar e criticar o trabalho do governo. Os Jogos Olímpicos são uma oportunidade para a China se abrir mais e desenvolver-se... e ao mesmo tempo vão contribuir para o incremento do respeito pelos direitos humanos»
Wang Wei, vice-presidente executivo do Comité Organizador dos Jogos Olímpicos de Pequim (BOCOG)
Boicote: O que se diz por aí (7)
«Tenho muito pouca admiração por políticos que vêm aqui para assinar grandes contratos económicos e que três ou quatro meses depois dizem: 'se calhar não venho à cerimónia de abertura'. Os atletas têm mais do que suficiente informação para saberem o que devem fazer, e não precisam de lições de políticos que usam o desporto de forma rasteira ao mesmo tempo que assinam grandes contratos empresariais»
Hein Verbruggen, presidente da comissão do COI para a avaliação dos Jogos de Pequim
terça-feira, 25 de março de 2008
Boicote: O que se diz por aí (6)
«Nem as Nações Unidas, nem os países mais importantes, nem o mundo dos negócios conseguiram formentar tanta abertura e mudança na China como as que o país desenvolveu desde que há sete anos ganhou a organização dos Jogos Olímpicos. Pedir ao Movimento Olímpico e ao Comité Olímpico Internacional que utilizem os jogos como arma para fazer incrementar as mudanças num país com a força e a inércia da China parece-me desajustado.»
Juan António Samaranch Jr, representante espanhol no COI (filho do «histórico» Juan António Samaranch)
Boicote: O que se diz por aí (5)
«Qualquer acto que perturbe o percurso da Chama Olímpica é vergonhoso e impopular. As autoridades competentes nos países por onde a Chama Olímpica vai passar têm a obrigação de garantir um percurso sem incidentes.»
Qin Gang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês
Boicote: O que se diz por aí (4)
«Não estamos de forma alguma seguros que qualquer eventual boicote levasse a um maior respeito pela lei da China ou no Tibete. De forma alguma»
José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia
terça-feira, 18 de março de 2008
Boicote: E se os VIP faltarem à cerimónia de abertura?
A ideia começa a correr e pode transformar-se na forma de protesto mais vigorosa encontrada pela comunidade internacional contra o governo de Pequim e a sua política contrária ao respeito pelos direitos humanos: a ausência de chefes de Estado e de governo na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.
O francês Bernard Kouchner, actual ministro dos Negócios Estrangeiros e fundador dos Médicos Sem Fronteiras, foi um dos primeiros a considerar a ideia «interessante», afirmando que a pretendia discutir com os seus homólogos da União Europeia.
«A ausência na cerimónia de abertura é uma acção menos negativa que um boicote geral. Acho que pode ser uma ideia interessante», afirmou.
Embora ainda sem completa confirmação oficial, a cerimónia de 8 de Agosto deveria contar com apresença de alguns dos mais importantes líderes mundiais, como George W. Bush, Nicholas Sarkozy e Angela Merkel. O Presidente português, Cavaco Silva, também tem na sua agenda a presença na tribuna de honra do estádio olímpico, a convite do Comité Olímpico de Portugal.
Boicote: O que se diz (2)
«Milhares de atletas trabalham intensamente há quatro anos para estarem presentes nos Jogos Olímpicos, cuja realização em Pequim representa uma oportunidade para a China ver como os outros atletas de todo o mundo se comportam, a dialogar e a trabalhar em conjunto. Penso que encerrar a China em si mesma é prejudicial para a política internacional.»
Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal
Boicote: O que se diz (1)
«Montreal 1976, Moscow 1980, Los Angeles 1984 - as únicas pessoas punidas com o boicote foram os atletas»
- Patrick Hickey, chefe dos Comités Olímpicos Europeus
