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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Spielberg: Nada a perder e tudo a ganhar


Ainda bem que há análises lúcidas que nos ajudam a compreender melhor os actos e os factos, sem constrangimentos de qualquer ordem. Como esta, de Bruce Einhorn, publicada no site da revista norte-americana Business Week. A tese é simples, mas certeira: afinal o realizador norte-americano Steven Spielberg não correu risco algum por afrontar o governo de Pequim e um mercado potencial de 1,3 mil milhões de espectadores para os seus filmes, quando decidiu retirar-se da equipa de conselheiros artísticos para as cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos. Porquê? Porque a China, explica Einhorn, além de ser a campeã mundial da pirataria de filmes em DVD, apenas permite a exibição de 30 longas-metragens estrangeiras por ano - um número em que as produções de Hollywood têm de lutar, de igual para igual, com as do Japão, Coreia e Índia.
Ou seja, dificilmente Spielberg iria buscar um cêntimo ao bolso dos espectadores chineses. Mas com a sua atitude em defesa da causa humanitária do Darfur ganhou, no resto do mundo, um protagonismo e uma simpatia com muito mais ressonância no mercado. Especialmente, quando está prestes a estrear o novo filme da série Indiana Jones (cujo trailer pode ser visto aqui).


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Cerimónias olímpicas: Spielberg sai em defesa do Darfur


Steven Spielberg decidiu retirar o seu nome da lista dos conselheiros artísticos para as cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim, como forma de protesto pela inacção das autoridades chinesas na resolução da crise humanitária do Darfur.
A tomada de posição daquele que é o realizador de cinema mais popular do mundo pode levar muitas outras personalidades e patrocinadores a tomarem acções semelhantes e a aumentarem a pressão sobre o governo de Pequim.
A China é o maior cliente do petróleo do Sudão e, por essa via, os activistas dos direitos humanos responsabilizam Pequim pela crise humanitária no Sudão.
«Em consciência, não podia continuar a encarar esta situação como se fosse um negócio habitual», declarou Spielberg. «Nesta altura, o meu tempo e energia têm de ser gastos não nas cerimónias olímpicas mas a fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar a pôr um fim aos crimes contra a humanidade que continuam a ser cometidos no Darfur.»
Spielberg tinha sido convidado para participar numa equipa de conselheiros liderada pela realizador chinês Zhang Yimou, mas exceptuando uma visita a Pequim, há um ano, ainda nada tinha feito de concreto para as cerimónias olímpicas.