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sábado, 16 de agosto de 2008

Zona mista: O inimitável e inesquecível Francis Obikwelu

Nos Jogos Olímpicos, os resultados decidem-se na pista, mas a imagem dos atletas é definida, grande parte das vezes, por aquilo que eles conseguem valer na Zona Mista, aquele espaço por onde eles «desaparecem» quando as pessoas deixam de os ver no estádio ou na televisão, a caminho dos balneários.
A Mix Zone é uma espécie de local sagrado, onde os jornalistas podem falar com os atletas, geralmente interpelando-os em grupo, com uma profusão de braços estendidos a agarrar em gravadores e as perguntas a saírem em catadupa, ao gosto e interesse de cada um, sem um plano ou uma lógica concertada. Isto, durante cinco ou 10 minutos, perante atletas ainda ofegantes e, muitas vezes, com vontade de se «enfiarem num buraco». É proibido tirar fotografias ou captar imagens.
Nestas circunstâncias, percebe-se como a Mix Zone se transforma, facilmente, num local de festa e excitação quando se vai falar com o vencedor, e num local de muita tensão quando o atleta acabou de perder. Com uma agravante particular: quando se ganha, a maior parte do que é dito e escrito refere-se à forma como a prova decorreu; quando se perde pouco mais resta para contar do que as declarações do perdedor. E é aí que se joga a imagem de um atleta, até porque são raros os que, em Portugal, recebem conselhos profissionais sobre o que devem ou não dizer.
Francis Obikwelu, no entanto, sempre foi um caso especial nas zonas mistas. Tanto na vitória como na derrota.
Esta noite, voltou a prová-lo em Pequim, exactamente da mesma forma como quando teve o seu maior momento de glória, ao ganhar a prata, em Atenas, há quatro anos: falando sempre com o coração, nada mais do que o coração. E em várias línguas, com uma disponibilidade e simpatia sem paralelo entre atletas deste nível: parando para falar com os jornalistas da Nigéria, onde nasceu, de Espanha, onde vive, e de Portugal, cuja bandeira representa.
De Francis Obikwelu nunca ouvi um queixume ou uma desculpa esfarrapada. Quando triunfava, continuava sempre a manter um nobre respeito sobre todos os adversários. Quando perdia - como sucedeu esta noite - assumia as culpas, por inteiro.
Hoje, perante os jornalistas portugueses, repetiu insistentemente o seu pedido de desculpas ao povo português.
«O povo andou a pagar, com o dinheiro dos seus impostos, para eu estar aqui. E não consegui chegar à final. Falhei. Peço desculpa», disse, várias vezes, com uma ou outra variação. Mas percebia-se que não era uma «jogada de marketing». Todos sentimos que aquilo lhe vinha mesmo do coração. Exactamente como quando lhe perguntei qual era o momento que ele recordava como o de maior felicidade em toda a sua carreira. Confesso que esperava que ele falasse na medalha de Atenas. Mas não. Mais uma vez foi desconcertantemente sincero: «O melhor momento, aquele que jamais esquecerei, foi quando vi todos os portugueses a receberem-me de braços abertos, após a medalha. Aqueles gritos de 'Francis', 'Francis' vou guardá-los para sempre no meu coração. Valeram mais do que a medalha»
As emoções da zona mista são mesmo assim: já estou com saudades deste inimitável e inesquecível Francis Obikwelu.

Final dos 100 metros: Obikwelu aposta em Bolt

Para Francis Obikwelu, a final dos 100 metros vai ser ganha pelo jamaicano Usain Bolt, que já assinou o melhor tempo das meias-finais, com 9,85s (e a abrandar nos últimos 10 metros), a um centésimo do recorde olímpico do canadiano Donovan Bailey, estabelecido na final de Atlanta-96.
«Asafa Powell é meu amigo, mas o Usain Bolt está numa forma fenomenal, muito forte, não dá hipóteses», disse Obikwelu, que não acredita, no entanto, que o recorde do mundo seja batido em Pequim: «O Bolt já tem o recorde do mundo, ele agora quer é ganhar a medalha de ouro. Ele não vai correr para o recorde, ele vai correr para ganhar o ouro.»
Francis Obikwelu não ficou surpreendido com a eliminação do norte-americano Tyson Gay. Na sua opinião, foi até surpreendente ele ter-se classificado para a meia-final: «O Tyson Gay não está bem. Ele lesionou-se nos campeonatos dos EUA e, nos últimos dois meses, não correu. Era impossível estar em forma. Para mim, ele nem às meias-finais chegava.»

Atletismo: A última corrida de Francis Obikwelu

Francis Obikwelu despediu-se hoje da alta competição ao falhar o apuramento para a final olímpica dos 100 metros, depois de concluir a sua meia-final em sexto lugar e com o tempo de 10,10 segundos, muito longe dos 9,86 com que ganhou a medalha de prata em Atenas e que é recorde europeu.
«Peço desculpa aos portugueses, mas já não dá mais. Vou deixar o atletismo», anunciou Francis Obikwelu aos jornalistas, logo após a prova, esclarecendo que não participará sequer nas eliminatórias dos 200 metros: «Tenho muitos problemas no joelho, não vale a pena continuar.»
Num tom de conversa sempre muito humilde, Francis Obikwelu quis assumir, perante o povo português, o falhanço da sua corrida na meia-final, depois de ter prometido que ia chegar, novamente, às medalhas: «Não quero arranjar desculpas nem vale a pena falarem-me no problema da falsa partida. A culpa foi só minha. Não arranquei bem e, depois, também não consegui recuperar. Mas fui eu que falhei. Só eu e mais ninguém.»
Na mesma meia-final, o norte-americano Tyson Gay, campeão mundial, terminou em quinto lugar, ficando também afastado da final.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Atletismo: Francis Obikwelu corre em Zaragoza

Francis Obikwelu vai competir no sábado, 31, no V Grande Prémio Internacional de Atletismo do Governo de Aragão, em Zaragoza, Espanha, frente a alguns bons velocistas ,como Marc Bruns (TRI), Ronald Pognon (FRA), Samuel Francis (QAT), Marcelle Scales (USA), Angel Rodriguez (ESP), Dariusz Kuc (POL), Dwayne Grant (GBR) e o português Arnaldo Abrantes.
Obikwelu esteve presente nas duas anteriores edições desta prova, onde correu em 9,99 segundos em 2007, que lhe deu o 6º lugar, e triunfando em 2006 com a marca de 9,84 segundos.
A prova de Francis Obikwelu pode ser acompanhada partir das 20.15 no site da Federação Espanhola de Atletismo em www.rfea.es
Depois desta prova, Obikwelu voará para os Estados Unidos, onde estará presente num dos mais importantes meetings norte-americanos: o Nike Prefontaine Classic, a 8 de Junho, no Oregon.

sábado, 3 de maio de 2008

Pequim: Obikwelu promete medalha

Em entrevista à Visão, a publicar na próxima edição (7 de Maio),Francis Obikwelu promete uma nova medalha olímpica, como forma de gratidão para com os portugueses que o acolheram.
«Posso garantir que, pelo menos, vou lutar por isso», disse Obikwelu, em Madrid, onde reside e treina desde há cinco anos.
É um bom sinal. E a prova de que está cheio de confiança. A mesma, aliás, que evidenciava antes dos Jogos Olimpicos de Atenas, de boa memória, onde conquistou a prata nos 100 metros.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Olímpicos: Francis Obikwelu sorteia fato autografado

Francis Obikwelu lançou no seu site oficial um passatempo para premiar os seus mais fiéis fãs cibernáuticos com um fato de competição autografado. Para se habilitar ao prémio, só é preciso escrever a melhor e mais original frase sobre o velocista, medalha de prata nos Jogos de Atenas 2004. O passatempo termina dia 6 de Abril aqui.