É uma imagem habitual nos pódios: geralmente, os medalhados de prata estão com um ar desiludido, enquanto os de bronze, muitas vezes, parecem mais felizes do que até os de ouro. Compreende-se: uns acabaram de perder o ouro, enquanto os outros conseguiram, acima de tudo, entrar nas medalhas.
O pódio do triplo salto era exactamente assim. De tal forma, que muito tempo depois do final da cerimónia, o terceiro classificado, Leevan Sands, das Bahamas, continuava a passear pelos corredores do «Ninho de Pássaro» com a sua medalha de bronze ao pescoço. E fazia um sucesso incrível, nomeadamente entre as chinesas que pediam para ser fotografados junto a um medalhado olímpico.
Mas não só. A certa altura, aproximaram-se uns senhores de ar respeitável e começaram a conversar com o feliz medalhado. E também quiseram ser fotografados com ele. Só que um desses senhores é uma lenda viva do atletismo mundial, com duas medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Olímpicos: o norte-americano Edwin Moses, o melhor atleta que o mundo já viu a correr os 400 metros barreira.
Olhem só para ele a sorrir junto do feliz Sands.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Pequim: A felicidade de Leevan Sands
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Atletismo: Dayron Robles bate recorde dos 110 metros barreiras
É assim uma prova perfeita: com uma técnica irrepreensível, uma cadência sem quebras e um controlo total do corpo, o cubano Dayron Robles, 21 anos, correu por cima das barreiras em vez de as saltar. O resultado foi um brinde especial para o atleta e para todos os espectadores que presenciaram, na quinta-feira, 12, o meeting de atletismo em Ostrava República Checa: um novo recorde do mundo dos 110 metros barreiras, com a marca de 12,87 segundos menos um centésimo do anterior recorde,do chinês Xiang Liu, obtido no dia 11 de Julho de 2006. Mais uma prova que promete acesa competição em Pequim!
domingo, 1 de junho de 2008
Atletismo: As trovoadas ajudam os recordes?

O Grande Prémio de Nova Iorque, no sábado à noite, foi interrompido durante cerca de 40 minutos, devido à ameaça de uma forte trovoada sobre o local. Quando a competição foi retomada, os espectadores mais experientes sentiram que poderiam estar prestes a assistir a um momento histórico. E não se enganaram: pouco tempo depois, numa noite quente e húmida, com o vento quase no limite máximo permitido, o jamaicano Usain Bolt bateu o recorde do mundo dos 100 metros.
Os arquivos do atletismo estão repletos de histórias deste género. Basta recordar, por exemplo, que o actual recorde do mundo do salto em comprimento, os 8,95 de Mike Powell, nos Mundiais de Tóquio, em 1991, foi conseguido a seguir a uma intensa trovoada. Aliás, como já tinha sucedido, em 1968, quando Bob Beamon, na Cidade do México, tinha espantado o mundo com o seu salto de 8,90 metros. Nos mesmos Jogos, também os 43,86 segundos de Lee Evans nos 400 metros foram conseguidos em condições meteorológicas muito semelhantes.
Será só coincidência?
sábado, 3 de maio de 2008
Pequim: Mihchael Johnson aposta em Tyson Gay
O recordista mundial dos 200 e 400 metros, Michael Johnson acredita que o norte-americano Tyson Gay vai ganhar as medalhas de ouro nas Olimpíadas de Pequim nas duas principais provas de velocidade: os 100 e os 200 metros.
«Gay é mais consistente que Asafa Powell e comporta-se melhor nas grandes competições. Ele ganhará as duas provas de velocidade em Pequim. Powell é um grande talento, mas costuma falhar nos compromissos importantes», disse Johnson.
Questionado sobre a situação do ex-velocista Maurice Greene, agora acusado de ligações ao doping, Johnson (que manteve com Greene algumas discussões acaloradas durante a disputa sobre quem seria o homem mais rápido do mundo) mostrou-se cauteloso, mas duro: «Ele tem uma montanha de perguntas a responder. Vai ser interessante ver o que acontece.»
Johnson ainda revelou acreditar na possibilidade de Haile Gebrselassie, atual recordista mundial da maratona, mudar da ideia e competir na prova em Pequim: «Não haverá poluição na cidade na época das Olimpíadas. Os chineses vão fechar as fábricas para ter certeza de que os céus estarão limpos.»
Quanto à possibilidade de boicote aos Jogos, foi taxativo: «Os boicotes de 1980 foram péssimas idéias e as pessoas deveriam ter aprendido com eles.»
terça-feira, 11 de março de 2008
Pequim: Gebrselassie renuncia à maratona olímpica
O recordista mundial da maratona, o etíope Haile Gebrselassie, anunciou a sua intenção de não participar na maratona dos Jogos Olímpicos de Pequim, por receio de ter problemas de saúde devido à poluição.
No entanto, Gebrselassie vai participar nos 10 000 metros, prova em que se sagrou campeão olímpico nos jogos de Atlanta e de Sydney (em Atenas ficou no quarto lugar, batido pelo seu «sucessor», Bekele).
De uma coisa não parecem restar dúvidas: com a desistência de Gebrselassie e com as condições que se esperam em Pequim, o recorde olímpico de Carlos Lopes - conseguido em Los Angeles 1984 - deverá continuar imbatível. Pelo menos durante mais quatro anos, até Londres 2012.
domingo, 9 de março de 2008
Olimpicos: Naide Gomes confirma aposta no salto em comprimento com conquista do titulo mundial de pista coberta
Naide Gomes confirmou hoje, em Valência, que é um das melhores especialistas em pista coberta, ao sagrar-se campeã mundial do salto em comprimento, com uma marca de sete metros, que lhe dá, igualmente, a liderança mundial na disciplina e muitas esperanças para os Jogos de Pequim.
A atleta, de 27 anos, pode somar agora este título aos outros ganhos em pista coberta: campeã mundial de pentatlo (em 2004), campeã europeia de salto em comprimento (em 2005 e 2007) e vice-campeã europeia de pentatlo (em 2002). Nas provas ao ar livre, os resultados têm sido inferiores, embora de qualidade: medalha de prata, no salto em comprimento, no Europeu de 2006, quarto lugar na mesma prova nos Mundiais de 2007 e sexto lugar, no heptatlo, nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.
A carreira de Naide Gomes tem sido caracterizada por uma procura constante de desafios que possam adequar-se às suas extraordinárias qualidades inatas para a prática desportiva. Assim, depois de se ter estreado nos Jogos Olímpicos em Sydney 2000 (ainda a representar São Tomé e Príncipe, seu país de nascimento) nos 100 metros barreiras, Naide foi a Atenas 2004 participar no heptatlo e, em Agosto, em Pequim, chegará como uma das candidatas às medalhas no salto em comprimento. Neste aspecto, o trabalho do seu treinador, Abreu Matos, na busca da melhor prova para o êxito de Naide Gomes, tem sido fundamental.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Olímpicos: Sandra Tavares com mínimos B
Sandra Tavares, da Federação Portuguesa de Atletismo, tornou-se a 48.ª atleta a alcançar os mínimos de qualificação para os Jogos Olímpicos, ao superar a fasquia a 4,31 metros no salto com vara, durante o Meeting de Epinal, França, no passado dia 10. Trata-se, no entanto, de um mínimo B que não garante a qualificação automática para os Jogos, uma vez que outra atleta, a sua irmã Elisabete Ansel, tinha já superado anteriormente a marca de acesso na mesma especialidade. No caso de não conseguirem os mínimos A, apenas uma das duas atletas poderá participar nos Jogos Olímpicos. Com este resultado, Sandra Tavares é igualmente integrada no Projecto Pequim 2008 do C.O.P., no Nível de Qualificados, com efeito a partir de 1 de Março.
O lançador de peso Marco Fortes, que também alcançou recentemente os mínimos de participação nos Jogos, foi igualmente integrado no Projecto Pequim 2008 (Nível Qualificados).
Fonte: COP
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Portugal: Ana Dias com mínimos para Pequim
A maratonista Ana Dias tornou-se a 47.ª atleta portuguesa a superar os mínimos de qualificação para os Jogos Olímpicos de Pequim de 2008, ao vencer no domingo, 24, a Maratona de Sevilha com o tempo de 2.29,22 horas.
Ana Dias é a terceira portuguesa a alcançar os mínimos na Maratona feminina, que estão fixados em 2.32,30 horas, depois de Leonor Carneiro e Marisa Barros. Portugal pode participar na Maratona olímpica com um máximo de três atletas.
Esta pode ser a quarta presença consecutiva da atleta algarvia em Jogos Olímpicos, depois de se ter classificado em 32.ª nos 5000 metros em Atlanta-96, 24.ª nos 10000 metros em Sydney-2000 e 62.ª na Maratona de Atenas-04.
Fonte: COP
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Olímpicos: Parabéns campeão Lopes
Carlos Lopes, o primeiro atleta português a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, celebra hoje 61 anos (Vildemoinhos, Viseu, 1947), e a página de internet do Comité Olímpico Internacional fez questão de o assinalar como um dos acontecimentos do dia. Uma lembrança mais do que justa, até porque Lopes continua a ser o detentor do recorde olímpico da maratona (2 horas, 9 minutos e 21 segundos, em Los Angeles 1984) e o vencedor mais velho dessa mesma prova (37 anos!).
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Memória: Atenas 2004 (3)
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Olímpicos: Bons resultados alimentam esperança para os Jogos
Nelson Évora, campeão do mundo de triplo salto, bateu no domingo, 10, o recorde nacional daquela especialidade em pista coberta, com um salto de 17,33 metros que lhe valeu a vitória no meeting de Karlsruhe, na Alemanha. A melhor marca pessoal de Nelson Évora continua a ser os 17,74 metros conseguidos no Mundial de Osaca (Japão), em 2007, que constituem também recorde nacional absoluto.
Naide Gomes estabeleceu no sábado, 9, o recorde nacional do salto em comprimento em pista coberta, ao conseguir 6,90 metros e vencer, com essa marca, o meeting de Valência, Espanha.
Marco Fortes tornou-se o primeiro português a atingir uma marca acima dos 20 metros no lançamento do peso. No meeting de Valência, o atleta do Sporting atirou, no sábado, 9, o peso a 20,08 metros, conseguindo, assim, os mínimos para o Mundial de pista coberta, dentro de um mês, e para os Jogos Olímpicos de Pequim 2008.
Telma Monteiro conquistou no sábado, 9, a medalha de bronze no Torneio Super A de Paris, em França, na categoria de -52 quilos.A vice-campeã mundial, que já garantiu a presença nos Jogos Olímpicos de Pequim, falhou a intenção de melhorar o segundo lugar alcançado na última edição da prova. Telma Monteiro, que depois de Paris vai apenas participar no Europeu de Lisboa e nos JO de Pequim, perdeu o combate com a chinesa Dongmei Xian, que acabou por conquistar a medalha de ouro, após derrotar na final a argelina Soraya Haddad. Com este resultado, Telma Monteiro voltou a assumir a liderança do ranking mundial, que perdera para a chinesa Junsie Shi, após o mundial do Rio de Janeiro, após um ano e meio na liderança. No ranking olímpico, Telma também lidera destacada com 122 pontos de vantagem sobre a francesa Audrey La Rizza.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Homenagem: Mo Greene deixa as pistas
Competitivo, fanfarrão, mas sempre extremamente simpático e quase até gentil com os adversários, público e jornalistas, Maurice Greene marcou uma época no atletismo. E até um estilo. Na transição entre o século XX e o XXI, ele representou o modelo ideal do velocista: um tipo ligeiramente baixo, musculoso e que, quando corria, parecia apenas tocar levemente na pista, quase a voar baixinho. Os tempos, entretanto, mudaram e não admira, por isso, que Greene tenha agora anunciada a sua retirada das pistas (e a sua auto-exclusão de Pequim 2008), após uma sucessão de lesões preocupantes, mas também da entrada em cena de uma nova geração de velocistas que parecem ser, fisicamente, o seu oposto: tipos, como Obikwelu (ou Asafa Powel e Tyson Gay) magros, esguios e com uma passada demolidora.
Mas pense-se o que se pensar de Maurice Greene, de uma coisa ninguém tem dúvidas: a sua vitória nos 100 metros dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, ficará, para sempre, como uma demonstração ímpar de classe e confiança. E isto é algo que jamais será apagado da memória olímpica.
Chegou à Austrália como favorito e, em todos os momentos, mais não fez do que confirmar o inevitável: naquela época não tinha rivais à altura.
Naquele período, ele era o vencedor incontestável de todas as provas de 100 metros, o único capaz de roubar o «show» em qualquer momento na corrida do hectómetro, de fazer as delícias dos fotógrafos quando cortava a meta e deitava, num misto de gozo e provocação, a língua de fora - uma imagem que ficou gravada nas multidões como uma espécie de cartão de visita do velocista norte-americano. Era até o único homem no planeta que tinha a coragem de desafiar Michael Johnson nos 200 metros (prova que, infelizmente, nunca tiveram a oportunidade de disputar em simultâneo ao mais alto nível).
No entanto, não deixa de ser curioso que o ocaso de Maurice Greene tenha começado precisamente no momento em que outros lhe começaram a roubar o show. E, nesse campo, há uma data incontornável: 22 de Agosto de 2004, o dia da final olímpica dos 100 metros, quando Francis Obikwelu, antes do tiro de partida, começou a ouvir a música de «Zorba», de Mikis Teodorakis, e desatou a dançar no meio da pista, empolgando a assistência grega. De forma quase automática, Maurice, o «dono do show», ficou arredado do primeiro plano - os olhares e a simpatia concentraram-se na figura do nigeriano que, pouco tempo antes, tinha abraçado a nacionalidade portuguesa. Estupefacto, Maurice Greene ficou furioso e... confuso. Como era possível um novato e desconhecido como Obikwelu estar ali, naquele momento, a desafiá-lo, ainda para mais no seu terreno favorito?
O resultado final ficou, quase de certeza, «impregnado» desses sentimentos: Obikwelu bateu Greene por um centésimo de diferença. (A medalha de ouro foi, no entanto, para Justin Gatlin, um norte-americano que, entretanto, foi suspenso das competições por ter dado positivo num controlo anti-doping e que, por isso mesmo, não merece ser aqui referido como vencedor, independemente da versão oficial).
A verdade é que não voltaremos a ver Maurice Greene a voar nas pistas, desafiando, com o seu ar matreiro e provocador, os matulões com que partilhava as pistas. Mas, ao contrário de muitos outros, vamos recordá-lo por muitos e longos anos. Os (verdadeiros) campeões são eternos - como os diamantes!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Memória: Viva Fosbury!


